O encontro marcado
"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências.
Ele aprende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela,
pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio.
Encontrará-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência,
é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias,
na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento,
a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida,
e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que,
ao meio-dia se percebe em plena treva, pobre e nu.
Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro.
A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então,
o trabalho do homem que merece seu nome." (De uma cata de Hélio Pellegrino)
Fernando Sabino
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